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arrow_back Aula 06 - Acionamento de motores elétricos de corrente contínua e alternada

2.2.5 Dimensionamento do relé térmico

O relé térmico (FT1) que protegerá o motor contra possíveis sobrecargas deve ser dimensionado para atender à corrente de trabalho Ie, que circula pelos contatos do contator K1. Porém, com já foi dito, esse relé é fabricado atendendo a uma faixa de corrente que pode ser ajustada para o valor da corrente de trabalho.

2.3 Chave compensadora

A chave compensadora alimenta o motor com uma tensão que é reduzida através de um autotransformador. Por sua vez, a corrente na partida também será reduzida em função da regulagem da derivação da bobina (TAP) do autotransformador.

Essa chave é composta basicamente por:

  • 03 Contatores;
  • 01 Autotransformador;
  • 01 Relé temporizador;
  • 01 Relé térmico e dispositivos de proteção contra curto-circuito.

2.3.1 Dimensionamento dos componentes

Para o dimensionamento dos componentes dessa chave, tomaremos como exemplo o motor de indução trifásico utilizado para a chave estrela-triângulo. Assim como já foi visto, o valor da corrente de trabalho será de Ie = 37,77 A.

Os fusíveis e os condutores serão os mesmos já dimensionados para a chave estrela-triângulo (corrente dos fusíveis equivalente a 63 A e condutores do comando com seção de 0,75 a 1,5 mm²) e para o circuito de força de 10 mm².

2.3.2 Dimensionamento do contator

Como já explicado, os contatores escolhidos deverão atender, entre outros requisitos, à capacidade de suportar a corrente de trabalho nos seus contatos, ao nível da tensão da bobina, aos números de contatos e a sua categoria de emprego.

O valor da tensão aplicada ao motor, que inicialmente será fornecida através do autotransformador dependerá do valor da derivação de saída (TAP) desse autotransformador. Geralmente esse ajuste no TAP é feito para o valor de 80%, ou o de 65%.

Uin=Uouta,

Onde:

Uin – Tensão de alimentação do autotransformador (V);

Uout - Tensão de saída do autotransformador (V);

a - Relação de transformação do autotransformador.

Como já foi visto, o torque de um motor é calculado pela seguinte equação, na qual a tensão nominal (Un) é igual à tensão de entrada (Uin):

T=KUn2

Já no que se refere à chave compensadora, o torque é calculado por:

Tc=KUout2

Substituindo, na equação anterior, o valor da tensão de saída (Uout) pela de entrada (Uin), teremos:

Tc=KUin2a2

Dessa forma, como dissemos anteriormente, a tensão de entrada do autotransformador é igual à tensão nominal da rede. Substituindo na equação a tensão de entrada pela nominal, teremos:

Tc=(KUn2)a2

Logo, o torque na chave de partida sob a ação do autotransformador é igual ao torque nominal vezes o quadrado da relação de transformação.

Tc=Ta2

A seguir observamos uma tabela com os valores dos torques da chave compensadora para cada valor de TAP, ou a relação de transformação, existente em autotransformadores.

Tabela 1 - Valores dos torques
TAP (%) TORQUE
50 T0,25
65 T0,42
80 T0,64

Continuando com o dimensionamento dos componentes, veremos o cálculo das correntes que circularão nos contatores da chave. Assim, utilizaremos o circuito unifilar, apresentado na Figura 15, para podermos desenvolver a análise.

Figura 15 - Circuito unifilar da chave compensadora
Circuito unifilar da chave compensadora
Fonte: Franchi (2013).

Como pode ser observado na Figura 16, o primeiro contator K1 passará a corrente de trabalho IK1, já os demais contatores passarão correntes diferentes da de trabalho e serão dimensionados. O motor tem uma impedância constante quando alimentado na tensão nominal, sendo assim, a sua impedância é dada por:

Z=UnIn

Onde:

Un – Tensão nominal (V);

In – Corrente nominal (A).

Quando a alimentação do motor ocorrer através do autotransformador, a impedância será modificada para:

Z=(aUn)÷Ie

Onde:

a – Relação de transformação;

Ie – Corrente de trabalho (A).

Como já foi dito que a impedância (Z) no motor é constante, teremos:

Un÷In=(aUn)÷Ie

As potências no autotransformador são iguais, tanto no primário quanto no secundário, logo, teremos:

PP=UPIP e PS=USISPP=PS

Onde:

PP - Potência no primário (W);

UP - Tensão no primário (V);

Ip - Corrente no primário (A);

PS - Potência no secundário (W);

US - Tensão no secundário (V);

IS - Corrente no secundário (A).

Sabendo que a tensão no primário do autotransformador (UP) é igual à tensão nominal da rede elétrica (Un), a tensão no secundário (US) será igual à tensão nominal (Un) vezes a relação de transformação (a).

Com relação ao valor da corrente que circula no primário (IP) do autotransformador é o mesmo valor que irá circular através dos contatos de K2. Na parte do secundário do autotrafo esta corrente terá um valor igual ao produto da corrente nominal (In) vezes a relação de transformação (a) do autotransformador, ou o valor de ajuste do TAP.

Então, igualando as equações das potências, teremos:

PP=PS,UnIK2=(aUn)(aIn) UnIK2=a2UnIn

Como o valor da tensão nominal (Un) encontra-se multiplicando os dois lados na equação, podemos retirá-lo da equação sem prejuízo. Dessa forma, teremos:

IK2=a2Ie,  ou  K2=IeTAP2

Já para determinarmos a corrente que circulará nos contatos do contator K3, precisamos considerar o seguinte: a corrente de saída do secundário será igual à soma das correntes de K2 e K3, logo, ficaremos com:

Is=IK2+IK3, IK3=IsIK2

Na equação anterior, substituiremos “Is” por (aIe) e IK2 por (a2Ie), assim, ficaremos com:

IK3=(aIe)(a2Ie) IK3=Ie(aa2)

Dessa forma, concluímos que a corrente que circulará nos contatos de K3 será calculada pela corrente de trabalho vezes a diferença entre a relação de transformação e o seu quadrado.

2.3.3 Dimensionamento do relé térmico

O relé térmico deve ser dimensionado a fim de atender à corrente de trabalho (Ie), porém, como já explicado, ele é fabricado para atender a uma faixa de corrente que pode ser ajustada para o valor da corrente de trabalho. Logo, será selecionado um relé que tenha uma faixa que atenda à corrente de trabalho.

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