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O relé térmico (FT1) que protegerá o motor contra possíveis sobrecargas deve ser dimensionado para atender à corrente de trabalho Ie, que circula pelos contatos do contator K1. Porém, com já foi dito, esse relé é fabricado atendendo a uma faixa de corrente que pode ser ajustada para o valor da corrente de trabalho.
A chave compensadora alimenta o motor com uma tensão que é reduzida através de um autotransformador. Por sua vez, a corrente na partida também será reduzida em função da regulagem da derivação da bobina (TAP) do autotransformador.
Essa chave é composta basicamente por:
Para o dimensionamento dos componentes dessa chave, tomaremos como exemplo o motor de indução trifásico utilizado para a chave estrela-triângulo. Assim como já foi visto, o valor da corrente de trabalho será de Ie = 37,77 A.
Os fusíveis e os condutores serão os mesmos já dimensionados para a chave estrela-triângulo (corrente dos fusíveis equivalente a 63 A e condutores do comando com seção de 0,75 a 1,5 mm²) e para o circuito de força de 10 mm².
Como já explicado, os contatores escolhidos deverão atender, entre outros requisitos, à capacidade de suportar a corrente de trabalho nos seus contatos, ao nível da tensão da bobina, aos números de contatos e a sua categoria de emprego.
O valor da tensão aplicada ao motor, que inicialmente será fornecida através do autotransformador dependerá do valor da derivação de saída (TAP) desse autotransformador. Geralmente esse ajuste no TAP é feito para o valor de 80%, ou o de 65%.
Uin=Uout⋅a,Onde:
Uin – Tensão de alimentação do autotransformador (V);
Uout - Tensão de saída do autotransformador (V);
a - Relação de transformação do autotransformador.
Como já foi visto, o torque de um motor é calculado pela seguinte equação, na qual a tensão nominal (Un) é igual à tensão de entrada (Uin):
T=K⋅Un2Já no que se refere à chave compensadora, o torque é calculado por:
Tc=K⋅Uout2Substituindo, na equação anterior, o valor da tensão de saída (Uout) pela de entrada (Uin), teremos:
Tc=K∗Uin2⋅a2Dessa forma, como dissemos anteriormente, a tensão de entrada do autotransformador é igual à tensão nominal da rede. Substituindo na equação a tensão de entrada pela nominal, teremos:
Tc=(K⋅Un2)⋅a2Logo, o torque na chave de partida sob a ação do autotransformador é igual ao torque nominal vezes o quadrado da relação de transformação.
Tc=T⋅a2A seguir observamos uma tabela com os valores dos torques da chave compensadora para cada valor de TAP, ou a relação de transformação, existente em autotransformadores.
Tabela 1 - Valores dos torquesTAP (%) | TORQUE |
50 | T⋅0,25 |
65 | T⋅0,42 |
80 | T⋅0,64 |
Continuando com o dimensionamento dos componentes, veremos o cálculo das correntes que circularão nos contatores da chave. Assim, utilizaremos o circuito unifilar, apresentado na Figura 15, para podermos desenvolver a análise.
Como pode ser observado na Figura 16, o primeiro contator K1 passará a corrente de trabalho IK1, já os demais contatores passarão correntes diferentes da de trabalho e serão dimensionados. O motor tem uma impedância constante quando alimentado na tensão nominal, sendo assim, a sua impedância é dada por:
Z=Un⋅InOnde:
Un – Tensão nominal (V);
In – Corrente nominal (A).
Quando a alimentação do motor ocorrer através do autotransformador, a impedância será modificada para:
Z=(a⋅Un)÷IeOnde:
a – Relação de transformação;
Ie – Corrente de trabalho (A).
Como já foi dito que a impedância (Z) no motor é constante, teremos:
Un÷In=(a⋅Un)÷IeAs potências no autotransformador são iguais, tanto no primário quanto no secundário, logo, teremos:
PP=UP⋅IP e PS=US⋅IS→PP=PSOnde:
PP - Potência no primário (W);
UP - Tensão no primário (V);
Ip - Corrente no primário (A);
PS - Potência no secundário (W);
US - Tensão no secundário (V);
IS - Corrente no secundário (A).
Sabendo que a tensão no primário do autotransformador (UP) é igual à tensão nominal da rede elétrica (Un), a tensão no secundário (US) será igual à tensão nominal (Un) vezes a relação de transformação (a).
Com relação ao valor da corrente que circula no primário (IP) do autotransformador é o mesmo valor que irá circular através dos contatos de K2. Na parte do secundário do autotrafo esta corrente terá um valor igual ao produto da corrente nominal (In) vezes a relação de transformação (a) do autotransformador, ou o valor de ajuste do TAP.
Então, igualando as equações das potências, teremos:
PP=PS,→Un⋅IK2=(a⋅Un)⋅(a⋅In) Un⋅IK2=a2⋅Un⋅InComo o valor da tensão nominal (Un) encontra-se multiplicando os dois lados na equação, podemos retirá-lo da equação sem prejuízo. Dessa forma, teremos:
IK2=a2⋅Ie, ou K2=Ie⋅TAP2Já para determinarmos a corrente que circulará nos contatos do contator K3, precisamos considerar o seguinte: a corrente de saída do secundário será igual à soma das correntes de K2 e K3, logo, ficaremos com:
Is=IK2+IK3, IK3=Is–IK2Na equação anterior, substituiremos “Is” por (a⋅Ie) e IK2 por (a2⋅Ie), assim, ficaremos com:
IK3=(a⋅Ie)−(a2⋅Ie) IK3=Ie⋅(a−a2)Dessa forma, concluímos que a corrente que circulará nos contatos de K3 será calculada pela corrente de trabalho vezes a diferença entre a relação de transformação e o seu quadrado.
O relé térmico deve ser dimensionado a fim de atender à corrente de trabalho (Ie), porém, como já explicado, ele é fabricado para atender a uma faixa de corrente que pode ser ajustada para o valor da corrente de trabalho. Logo, será selecionado um relé que tenha uma faixa que atenda à corrente de trabalho.
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