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Antes de começarmos a trabalhar com a linguagem de programação Ladder, vamos falar um pouco sobre os circuitos elétricos de comando. No passado, esses circuitos dominavam o comando das válvulas e cilindros. Porém, com o avanço das tecnologias, eles foram substituídos pelos Controladores Lógicos Programáveis (CLP), o que gerou uma grande revolução na forma de lidar com os sistemas eletropneumáticos. Para evitar problemas de adaptação, os desenvolvedores criaram uma maneira de suavizar a transição entre o velho e o novo: a linguagem de programação Ladder. Muito similar aos circuitos elétricos, corresponde a uma das formas mais comuns de programação do CLP. Vale salientar que não é a única, porém é a mais intuitiva, principalmente para profissionais que estão migrando ou iniciando a programação desse dispositivo.
Quem sabe analisar e projetar os circuitos de comando, faz isso também com os diagramas Ladder. Dessa forma, vamos utilizar a seguinte estratégia na aula de hoje: estudaremos inicialmente os circuitos a relé; depois, obteremos os respectivos diagramas Ladder, para, em seguida, examiná-los com base no método do GRAFCET.
Para começar, considere, como exemplo, a aplicação da Figura 7, a seguir. Já sabemos que a sequência, com quatro passos,
A+→B+→A−→B−
é a chave para movimentar os cilindros e que o acionamento de cada cilindro está ligado a um dos sensores de fim de curso (para mais detalhes, consultar o material da aula passada). Em suma: o cilindro A só deve avançar (A+), se o cilindro B estiver recuado (b0); o cilindro B só deve avançar (B+), se A estiver avançado (a1); o cilindro A só deve recuar (A−), se B estiver avançado (b1); por fim, o cilindro B só deve recuar (B−), se A estiver recuado (a0). Os sensores de fim de curso podem funcionar como uma chave normalmente aberta (NA) ou normalmente fechada (NF). Incialmente, vamos considerar sensores do tipo NA. Ou seja, quando o sensor é ativado, os seus respectivos contatos se fecham.
A Figura 8 apresenta o circuito de comando para o sistema. De acordo com o procedimento da aula passada, as válvulas escolhidas possuem dois solenoides, um para o avanço do cilindro e outro para o seu recuo. No circuito de comando, observe que cada sensor é representado por uma chave NA e cada solenoide, por quadrados. Note, ainda, a presença de uma chave S, responsável por iniciar todo o processo.
Há de se fazer, porém, uma pergunta: se estamos lidando com um circuito, onde está a fonte de alimentação? Qual a sua representação no esquema? Inicialmente, é importante esclarecer que estamos lidando com um circuito DC (corrente contínua). Sendo assim, precisamos identificar onde estão os terminais positivo e negativo da fonte. O objetivo principal é simplificar a representação do circuito. Em vez de desenhar uma fonte, que deve ser conectada a todos os ramos do circuito, vamos utilizar duas linhas horizontais: uma na parte superior (terminal positivo) e outra, na inferior (terminal negativo). Pela convenção de análise de circuitos DC, a corrente flui no sentido vertical, de cima para baixo, ou seja, na direção dos solenoides.
Vamos começar pelo primeiro ramo vertical, da esquerda para a direita. Caso a chave S (chave de início) seja fechada - e caso o cilindro B esteja recuado (chave b0 fechada) -, o solenoide A+ será energizado, fazendo com que A avance até acionar o seu sensor de fim de curso (fechamento da chave a1). Na sequência, o solenoide B+ será energizado (terceiro ramo, da esquerda para a direita), fazendo com que o cilindro B avance até acionar (fechar) a chave b1. Nesse momento, o solenoide A- será energizado (segundo ramo, da esquerda para a direita), fazendo com que o cilindro A recue até acionar (fechar) a chave a0. Esta, por sua vez, energiza o solenoide B-, fazendo com que o cilindro B recue até acionar (fechar) a chave b0. Caso a chave S se mantenha fechada, o ciclo se inicia novamente. Caso contrário, o sistema fica aguardando até que a chave de início seja fechada.
Já sabemos lidar com circuitos de comando para sistemas eletropneumáticos. Porém, considere agora a seguinte situação: imagine que não existam válvulas com dois solenoides disponíveis. A empresa que vai utilizar o sistema da Figura 7 deseja conter gastos, decidindo usar somente válvulas com um único solenoide (o estoque da empresa está cheio desses equipamentos). Como devemos proceder? É possível desempenhar a mesma atividade apenas com válvulas de um único solenoide? A resposta é sim. Porém, teremos um pouco mais de trabalho; precisaremos de dois relés auxiliares nessa abordagem.
O circuito da Figura 9 apresenta a nossa solução. Em relação ao primeiro passo da sequência A+→B+→A−→B−, considere o primeiro ramo na vertical (Figura 3), da esquerda para a direita. Temos a chave de início S, o sensor de fim de curso b0 (tipo NA) e o sensor de fim de curso b1 (tipo NF). Adicionalmente, temos dois solenoides: um referente à nossa válvula de comando (A) e outro, ao relé auxiliar (K1). Note que a lógica de comando para o cilindro A continua a mesma, uma vez que o fechamento de S, em conjunto com b0 (cilindro B recuado), faz com que o cilindro A avance.
No segundo passo da sequência, quando o cilindro B avançar, precisamos manter o solenoide A energizado. Porém, temos um pequeno problema. Ao avançar o cilindro B, a chave b0 é aberta, cortando a alimentação de A. Nesse momento, entra o nosso relé auxiliar. Observe que, no primeiro passo (avanço de A), a bobina K1 também é energizada de acordo com a Figura 3, fechado o contato K1, que é do tipo NA (contato de selo). Dessa forma, no segundo passo, quando o cilindro B avançar e a chave b0 for aberta (B está se movimentado), o solenoide A se manterá energizado através de K1. Quando o cilindro B avançar totalmente, o seu sensor de fim de curso b1 abrirá (considere agora esse sensor como do tipo NF), cortando a alimentação dos dois solenoides (A e K1). Comportamento similar é observado para o cilindro B.
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